Celebridade
Médico detalha doença que vitimou Rafael Brito, chef do MasterChef, aos 37 anos: ‘Não tem cura’

Chef que integrava equipes dos realities MasterChef e Pesadelo na Cozinha passou por cirurgia de emergência
O mundo da gastronomia se despediu, na última terça-feira, 26, do chef Rafael Brito, que morreu aos 37 anos em decorrência de um câncer metastático. Conhecido pelo talento e dedicação, ele integrou equipes de sucesso em realities da Band, como MasterChef e Pesadelo na Cozinha.
Em tratamento contra a doença, Rafael realizava sessões de quimioterapia, mas sofreu uma piora em seu quadro clínico. Submetido a uma cirurgia de emergência, o chef não resistiu às complicações. Ele deixa uma filha de oito anos.
O diagnóstico de câncer metastático traz consigo uma série de desafios e dúvidas. Para esclarecer, CARAS Brasil entrevista o oncologista Dr. Wesly Pereira Andrade, que explica que a metástase acontece quando células cancerígenas se espalham do órgão original para outras regiões do corpo.
“O câncer metastático é aquele que se espalhou do órgão onde surgiu inicialmente para outras partes do corpo. Esse processo acontece quando células cancerígenas entram na circulação sanguínea ou linfática e conseguem se instalar em órgãos distantes”, diz.
Vamos nos ater aqui ao câncer que se espalhou pelo sangue, o que chamamos de metástases sistêmicas. Exemplos comuns incluem:
- Um câncer de pulmão que se espalha para o cérebro.
- Um câncer de próstata que atinge os ossos.
- Um câncer de intestino que alcança o fígado.
O especialista ressalta ainda que, nesse estágio, a doença não está restrita a um único órgão. “É importante destacar que, nesse estágio, o problema não está apenas no órgão onde a metástase foi identificada, mas sim na presença de células cancerígenas circulando pelo corpo de forma microscópica. Por isso, a cirurgia costuma ter um papel limitado.”
Os sinais da doença variam conforme o local atingido pelas células. “Metástases cerebrais podem provocar dores de cabeça persistentes, alterações visuais ou crises convulsivas. Metástases ósseas costumam gerar dor localizada e, em casos avançados, fraturas. Metástases no fígado podem causar dor abdominal, icterícia (pele e olhos amarelados) e perda de peso. Qualquer sintoma persistente ou inexplicável deve ser avaliado por um médico, especialmente em pessoas com histórico de câncer.”
Sobre a possibilidade de cura, Dr. Wesly é cauteloso. “Infelizmente, na maioria dos casos, o câncer metastático não tem cura definitiva. No entanto, os avanços nos tratamentos têm permitido prolongar a vida dos pacientes, controlar os sintomas e oferecer melhor qualidade de vida.”
A cirurgia, segundo ele, só é indicada em casos específicos. “Embora raramente seja curativa, a cirurgia pode ser necessária em situações específicas, geralmente para aliviar complicações causadas pela metástase”, afirma ele, que em seguida lista exemplos.
- No cérebro: quando uma lesão está comprimindo estruturas e causando sintomas neurológicos.
- No abdome: quando há obstrução intestinal provocada por metástases no peritônio, exigindo uma cirurgia de urgência.
“Nesses casos, o objetivo é paliativo, ou seja, melhorar o conforto e a funcionalidade do paciente”, diz ainda.
O tratamento, reforça o médico, precisa ter uma abordagem ampla. “O tratamento do câncer metastático é, em sua essência, sistêmico. Isso significa que o alvo não é apenas o órgão afetado, mas o corpo como um todo, já que células malignas podem estar espalhadas de forma microscópica.”
As principais estratégias, segundo ele, incluem:
- Quimioterapia, que atua destruindo células tumorais em todo o organismo.
- Terapias-alvo, que bloqueiam mecanismos específicos das células cancerígenas.
- Hormonioterapia, indicada em tumores sensíveis a hormônios, como o de mama e próstata.
- Imunoterapia, em casos selecionados, estimulando o sistema imunológico a combater o câncer.
“O grande objetivo é controlar a doença, prolongar a sobrevida e garantir a melhor qualidade de vida possível”, finaliza o médico.