Celebridade
‘Nem acreditei que fiz 60, até pedi a recontagem dos votos’

Nany People estreia na capital paulistana seu novo show; em entrevista à CARAS Brasil, a atriz fala sobre carreira e abraça nova fase
2025 está sendo de grandes comemorações para a atriz Nany People marcando seus 60 anos de idade, 50 anos de carreira, 40 anos da sua chegada a São Paulo e 30 anos de TV. Referência do humor brasileiro, ela está animada em viver esta fase. Em entrevista à CARAS Brasil, a artista abre a intimidade ao falar de maturidade.
“Hoje, sou uma sessentona sem mágoas, sem crises essenciais. Continuo cercada de gente jovem, que não perde tempo, e isso me mantém leve. Não carrego peso desnecessário, não sou presa a ressentimentos, não gosto de complicar a vida com contratempos. Prefiro ser engajada, ativa e feliz, de verdade”, declara Nany People.
Recontagem dos votos
Para comemorar esta fase, a atriz apresenta o seu novo show: Ser Mulher Não é Para Qualquer Um – O Espetáculo, que estreia temporada na capital paulista, de 4 a 25 de setembro, quintas, às 20h, no Teatro Fernando Torres. Além disso, ela também subirá ao palco do Teatro Claro Mais RJ, no dia 6 de setembro, com o espetáculo Então… Deu No que Deu.
Artista multifacetada, ela quebrou barreiras e foi uma das mulheres trans pioneiras da televisão brasileira. Nany People reflete ao falar da carreira e brinca sobre a chegada dos 60 anos, completados no começo do mês de julho.
“Na verdade, eu nem acreditei que fiz 60. E eu até pedi a recontagem dos votos, como está no texto. Quando a gente chega aos 60, é tudo muito rápido, não dá pra acreditar direito. Mas é um número simbólico. Como o texto também diz e minha mãe sempre falava, a cabeça da gente é como se tivesse 30, e é o corpo que vai lá embaixo”, brinca.
Abaixo, confira trechos editados da entrevista de Nany People à CARAS Brasil.
Quais são os temas abordados nesta peça?
– Esta peça fala sobre uma decupagem, uma análise, um olhar sobre a última década da minha vida, sobre os meus 50 ou 60 anos, que eu chamo de a “idade das baixas”. É a fase em que perdemos relacionamentos, perdemos animais de estimação, encerramos projetos, nos aposentamos, onde ciclos se fecham para que outros possam começar.
Por que retratar este assunto nos palcos?
– A vida, nessa idade, naturalmente desacelera, e muitas vezes nos sentimos como espectadores. Mas, no meu caso, eu não me tornei espectadora. Pelo contrário: fiz mais coisas do que jamais havia feito antes. Tenho viajado pelo Brasil há anos com cinco solos, agora já são seis, e realizei quatro turnês internacionais. Ou seja, eu não me acomodei; me inquietei. Acho que esta última década foi justamente sobre isso, e a peça fala exatamente sobre isso: sobre não nos limitarmos às expectativas que o mercado ou as pessoas tendem a colocar sobre nós. É sobre continuar ativo, criativo, e viver mesmo quando a vida nos convida a desacelerar.
Como está sendo esta fase de sua vida? Como foi a chegada dos 60?
– Agora sou muito mais objetiva. Faço o que gosto, acredito e amo fazer, e é assim que sigo. Acho que espiritualmente também estou melhor, porque a juventude traz uma inquietação constante. Você fica muito inquieto, quer contestar tudo. Mas essa maturidade me deu mais contemplação. Hoje, não discuto mais por bobagem. Como dizem, depois dos 50, você fecha a conta. Não perde mais energia, saliva ou tempo com coisas que não vão te levar a lugar nenhum.
Como você define a Nany People hoje em dia?
– Ser uma pessoa luminosa, solar, com fé, é algo essencial para mim. Tenho muita fé, uma fé profunda. Sou devota de Nossa Senhora, muito apegada às minhas crenças, e tudo o que faço, peço ou desejo, dedico a ela. Isso me mantém engajada, empoderada e feliz.
Qual a sua relação com o humor?
– Tenho sempre um olhar positivo sobre as coisas. Sou, por natureza, uma pessoa solar. Essa filosofia de vida é minha: sempre que a vida me deu uma rasteira, sempre que ouvi um “não”, e não foram poucos, minha reação foi perguntar “por que não?”. E, acima de tudo, sempre recorro ao humor. O humor sempre foi meu refúgio, meu trampolim, uma forma de não me afogar em baixo astral.
Nany e você se mantém bem-humorada e sempre em plena atividade…
– Chegar aos 60, ainda em plena atividade, como brinca minha endocrinologista, é algo que precisa ser estudado. Meus amigos de infância sempre dizem que eu fui distraída, mas eu nunca uso a expressão “estou ficando velha”. Para mim, não é sobre envelhecer, é sobre ficar mais sábia, mais consciente. Não estou conformada com a vida; procuro transformar cada desafio que ela me apresenta em aprendizado. Isso faz com que eu me torne mais objetiva.
Nós conhecemos seu lado como atriz, humorista, cantora, repórter, o que ainda não vimos da Nany People? Tem algum desejo na carreira?
– Eu acho que nunca interpretei uma vilã de verdade. Sinto que ainda preciso fazer isso. Mostrar esse lado mais sombrio. Toda vilã, quando usa o humor, acaba dividindo opiniões. Acho que a vilania tem justamente esse efeito: quando ultrapassa o senso de medida do espectador, a pessoa percebe que o outro é mau, mas, pelo humor, acaba questionando o próprio senso de ética. O humor faz a gente balançar: “Gente, ela é má, mas é divertida”. É por isso que sinto que interpretar uma vilã seria muito bem-vindo para mim.
Quais seus próximos projetos na carreira?
– A cabeça não para. Você sabe que a gente está sempre de olho no outro. Eu sou uma pessoa com um senso de criação muito grande, estou sempre pensando nos outros, no que vem por aí. Já que estou viajando pelo Brasil com cinco projetos, agora vem o sexto e um vai ter que sair. Então, a gente vai ter que se adaptar. Já estou vendo projetos para o ano que vem, um novo texto, já pensando adiante.
E na TV?
– Na TV, eu nunca programo nada com antecedência, porque minha vida muda de acordo com um telefonema. Sempre muda assim, de repente. Nunca fico: “Ah, vou fazer isso daqui a tanto tempo”. Depois da pandemia, eu não faço mais nada a longo prazo. Tudo pra mim é meio instantâneo. A coisa aparece, eu falo sim ou não, e vamos que vamos, porque o show não pode parar. O segredo é sobreviver às pessoas e às intempéries da vida e não esquecer o bom humor.
Leia também: Nany People marca seu império nos palcos com vida dedicada à arte: ‘Eu nunca mudei’