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Música

Oasis finalmente conquista os EUA no primeiro show no país em 17 anos

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A última vez que o Oasis tocou nos Estados Unidos foi em dezembro de 2008, poucos meses antes de uma briga nos bastidores, em Paris, entre os irmãos Noel e Liam Gallagher, que acabaria encerrando a turnê de forma precoce, afastando os dois por mais de uma década e enterrando qualquer esperança de que a banda conquistasse a América da mesma forma que dominou o Reino Unido.

Na noite passada, porém, em Chicago, no primeiro show da turnê de reunião Live ’25 nos EUA — ainda difícil de acreditar que esteja acontecendo —, os Gallagher, após semanas trocando abraços calorosos, sorrisos e até uns tapas brincalhões, pareciam determinados a terminar o que começaram na primeira turnê americana, em 1994. Apesar de 16 anos separados, a banda soava e parecia pronta para assumir o trono do rock de estádios, que em breve ficará vago com a aposentadoria de veteranos como Rolling Stones, Bruce Springsteen e U2.

Mas será que os fãs estadunidenses corresponderiam à energia das multidões eufóricas que o Oasis encontrou em seus shows no Reino Unido? Pelo menos em Chicago, a resposta foi um retumbante sim.

Um dia antes da apresentação — que lotou o Soldier Field com 52 mil pessoas —, os fãs mais fiéis enfrentaram até 90 minutos de fila em uma loja pop-up na Michigan Avenue, a cerca de 11 km do estádio, para comprar todo tipo de merchandise: jaquetas retrô, chapéus bucket e, claro, tênis Adidas, onipresentes na fila. Muitas camisetas também vinham de turnês antigas, incluindo a fatídica Dig Out Your Soul Tour, de 2008.

Qualquer receio de que a turnê implodisse antes de chegar aos Estados Unidos se mostrou infundado. Os fãs celebraram o aparentemente impossível em uma noite perfeita de fim de verão em Chicago. Vibraram com a escolha certeira da abertura, “Hello”, emocionaram-se com o espírito de união de “Acquiesce” e até recriaram, em massa, o ritual poznan — típico das torcidas de futebol, com braços entrelaçados e saltos sincronizados — durante “Cigarettes & Alcohol”, para a alegria de Liam. “Todo mundo dizia que os americanos não iam fazer essa porra”, comentou após a música. “Claro que iam.”

A disciplina e a postura centrada de Liam têm sido uma das maiores surpresas da Live ’25 Tour. Nenhum outro frontman do rock consegue transmitir tanto fazendo tão pouco. No Soldier Field, seu gesto mais expansivo foi marchar no mesmo lugar durante a apoteótica “Champagne Supernova”. Em “Wonderwall”, ele puxou o capuz do anorak sobre o rosto, quase se escondendo, deixando que sua voz — ainda inconfundível e cortante — comandasse o show.

Mas os fãs do Oasis nunca esperaram grandes performances teatrais de Liam. Ele já consolidou seu lugar no panteão das silhuetas icônicas do rock apenas por cantar com as mãos para trás e o pescoço erguido em direção ao microfone. Em “Stand by Me”, adicionou um toque de humor, provocando o público a cantar o último refrão enquanto ficava mexendo nas próprias orelhas. “É fookin’ mega estar de volta à América”, disse, no seu sotaque carregado. “Sempre amamos vocês.”

Noel, por sua vez, pareceu mais leve. Se nos primeiros shows da turnê alguns fãs analisavam cada expressão dele — com a mesma obsessão de estudiosos destrinchando o filme de Zapruder — e interpretavam sua postura reservada como desânimo, em Chicago isso ficou para trás. Aos poucos, o guitarrista e principal compositor da banda foi descontraindo, trocando olhares cúmplices com Liam, soltando sorrisos e até apresentando a banda de forma bem-humorada: “Senhor Bone”, brincou ao anunciar o guitarrista original Paul “Bonehead” Arthurs. Em “Champagne Supernova”, Noel chegou a abrir um largo sorriso.

O Oasis, conhecido por ser metódico em suas apresentações, tocou o mesmo setlist de todas as noites da Live ’25 Tour. Mas não fez diferença: cada uma das 23 músicas foi recebida com entusiasmo. E, para crédito do público americano, eles não estavam lá apenas pelos maiores hits dos anos 1990. Apesar de “Don’t Look Back in Anger” e “Wonderwall” — ambas do clássico de 1995, (What’s the Story) Morning Glory? — terem arrancado as reações mais intensas da noite, músicas menos conhecidas nos EUA, como “Slide Away” e “Whatever”, também foram celebradas, com centenas de celulares levantados. Durante a emocionante “Little by Little”, os fãs acompanharam Noel em uníssono, gritando: “My god woke up on the wrong side of his bed!

A resposta calorosa a todo o catálogo do Oasis, somada à presença marcante de fãs na casa dos vinte anos, mostrou que a banda conquistou uma nova geração de seguidores do outro lado do Atlântico. Trinta e um anos após sua primeira apresentação nos Estados Unidos, os Gallagher ainda podem, enfim, “conquistar a América”. Ou talvez, em Chicago, já tenham conseguido.

Abaixo, veja o setlist do Oasis no Soldier Field, em Chicago:

  1. “Hello”
  2. “Acquiesce”
  3. “Morning Glory”
  4. “Some Might Say”
  5. “Bring It on Down”
  6. “Cigarettes & Alcohol”
  7. “Fade Away”
  8. “Supersonic”
  9. “Roll With It”
  10. “Talk Tonight”
  11. “Half the World Away”
  12. “Little by Little”
  13. “D’You Know What I Mean?”
  14. “Stand by Me”
  15. “Cast No Shadow”
  16. “Slide Away”
  17. “Whatever”
  18. “Live Forever”
  19. “Rock ‘n’ Roll Star”
  20. “The Masterplan”
  21. “Don’t Look Back in Anger”
  22. “Wonderwall”
  23. “Champagne Supernova”

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