Celebridade
Diagnóstico de Jessie J acende alerta e médico explica o que quase passou despercebido: ‘É crucial’

A cantora Jessie J (37), que é uma das atrações do The Town em São Paulo, conta como descobriu um nódulo em um dos seios e faz alerta sobre os sintomas que a levaram a buscar ajuda médica. A artista britânica afirma que foi salva graças a uma mamografia recomendada durante uma consulta de rotina.
“Se eu tivesse feito a mamografia em segundo lugar, eu não sei o que teria acontecido… se eu teria simplesmente parado ali e não feito mais nada, e pronto. E aí teria piorado. Eu tive sorte. Eu tinha o braço muito dolorido. Meu braço parecia feito de chumbo. E eu sempre acordava com formigamento, todos os dias, por uns cinco meses. Quando eu acordava, não conseguia sentir minha mão”, recorda.
O diagnóstico foi recebido em março deste ano. Na época, a estrela pop passou por um ultrassom que não apontou nada grave, mas a iniciativa de realizar uma biópsia detalhada foi um ponto-chave para o tratamento eficaz.
CARAS Brasil conversa com Dr. Wesley Pereira Andrade, médico mastologista e cirurgião oncologista, que explica que a história de Jessie J é um exemplo poderoso, não apenas de resiliência, mas também de como o diagnóstico do câncer de mama em mulheres jovens, fora da idade de rastreamento habitual, pode ser um desafio.
“Ela foi diagnosticada com câncer de mama aos 37 anos de idade, faixa etária que ainda não está dentro das recomendações de rastreamento habitual, cujas diretrizes em geral começam a partir dos 40 anos para a população em geral, ou mais precocemente quando há muitos casos de câncer de mama na família ou presença de mutações genéticas”, observa.
Jessie demorou cerca de cinco meses sentindo os primeiros sintomas. Segundo o médico, é importante não ignorar os sinais do corpo e buscar ajuda especializada o quanto antes.
“Quando uma mulher ignora um sintoma, como um caroço na mama, ela está perdendo a janela de oportunidade mais importante que existe: a do diagnóstico precoce. Em oncologia, o tempo é crucial. Quanto mais cedo detectamos o câncer, maior a probabilidade de ele ainda estar em um estágio inicial, localizado apenas na mama. Isso permite tratamentos menos agressivos e aumenta drasticamente as taxas de cura”, diz.
“Ignorar um sinal pode fazer com que o tumor cresça e se espalhe para os gânglios linfáticos ou outras partes do corpo, o que chamamos de metástase, complicando o quadro e exigindo terapias mais complexas”, complementa.
Os sintomas de um câncer de mama em estágio inicial podem ser muito sutis. “O mais comum, e que a própria Jessie J relatou, é a presença de um nódulo ou caroço que pode ser percebido ao toque. Outros sinais incluem alterações na textura da pele da mama, como um aspecto de ‘casca de laranja’, retração ou afundamento do mamilo, vermelhidão, inchaço ou, em alguns casos, secreção mamilar. Muitos desses sintomas não causam dor e, por isso, podem ser facilmente subestimados. A regra de ouro é: se você notar algo diferente, procure um médico imediatamente”, aconselha.
O caso de Jessie J ilustra como fatores sociais, familiares e profissionais podem impactar diretamente no tempo até o diagnóstico do câncer de mama. “Do ponto de vista demográfico, a idade jovem (37 anos) a colocava fora da faixa etária de rastreamento rotineiro, o que reduz a vigilância médica. Além disso, a maternidade recente, com um filho de apenas dois anos, fez com que grande parte de sua energia estivesse voltada aos cuidados familiares, algo frequente entre mulheres jovens que priorizam filhos pequenos em detrimento de sua própria saúde”, analisa o médico.
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“A carreira profissional intensa, marcada por múltiplas demandas e viagens, também contribuiu para que os sintomas não fossem prontamente investigados. Por fim, a percepção de risco reduzida também exerce grande influência. Muitas mulheres jovens subestimam suas chances de desenvolver câncer de mama, o que leva à menor adesão ao autoexame, à postergação de consultas médicas e à frequente atribuição dos sinais a causas não oncológicas. Esses fatores, somados, revelam como o contexto social, familiar e profissional pode criar barreiras invisíveis, mas muito reais, ao diagnóstico precoce e, consequentemente, ao início do tratamento”, acrescenta.
Dr. Wesley afirma que o tempo em que a cantora teria demorado para buscar ajuda não é o recomendado. “Seja qual for o tempo de espera, é crucial entender que um período de cinco meses com sintomas não é o ideal. Em medicina, consideramos que um diagnóstico deve ser feito no menor tempo possível para garantir o melhor resultado. Uma demora pode permitir que o tumor cresça e evolua de um estágio inicial para um mais avançado. A agilidade da paciente em buscar ajuda, assim que percebeu o sintoma, foi o que permitiu o tratamento e a cura que ela celebrou. O caso dela nos alerta sobre o risco de qualquer tipo de demora e a importância de não deixar que o tempo passe sem uma avaliação médica. Toda mulher que perceba um caroço na mama deve buscar auxílio do médico mastologista”, finaliza.