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Música

‘A casa de Cazuza sempre foi florida de pessoas e grandes artistas’

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Quem diria que as noites paulistanas no Pool Music Hall dariam origem a uma das conexões mais inusitadas do rock brasileiro. Em meados dos anos 1980, Supla conheceu Cazuza pessoalmente, quando ambos ainda integravam, respectivamente, as bandas Tokyo e Barão Vermelho, que se apresentavam na extinta casa noturna em São Paulo.

Supla ficou intrigado com o figurino do grupo carioca, que usava casacos no estilo “college kids”, como se fosse um uniforme. Sobre essa época, o Papito relembrou à Rolling Stone Brasil que Cazuza, equipe e colegas de banda foram bastante simpáticos.

Anos depois, Supla se tornaria fã de Cazuza, em especial das músicas “Exagerado” — com a qual se identifica bastante — e “O Tempo Não Para”. Mais adiante, os dois viriam a se aproximar e compor uma música juntos, intitulada “Nem Tudo É Verdade”. O elo entre eles? Nos anos 1980, Supla namorava Fabiana Kherlakian, filha de Yara Neiva, amiga próxima de Cazuza.

A parceria entre os dois surgiu de forma espontânea, durante uma conversa despretensiosa, quando Cazuza soltou duas frases marcantes: “Porra, essas estrelas-modelos não me deixam em paz” e “o lixo do luxo usa a bandeira, só pensa em si e em mais ninguém” — ambas incorporadas à letra da canção.

“Ele escreveu uma boa parte, aliás”, contou. “Escrevi outra parte e acabei musicando. Foi por umas conversas de telefone, como ele morava no Rio e eu em São Paulo. Aí fomos fechando a letra”.

A versatilidade de Cazuza, descrito por Supla como “um poeta muito importante”, sempre foi um dos grandes destaques de sua carreira. “Você tem que lembrar que a casa dele sempre foi florida de pessoas e grandes artistas. Então, ele teve esse contato com grandes nomes e escutou muita música boa”, afirmou.

É um cara que deixou realmente os anos 1980 marcados para sempre, com sua inteligência e talento nas letras, e nas boas melodias, também — ‘Faz Parte do Meu Show’ é uma ótima bossa nova.

Por fim, Supla citou o produtor Rick Rubin, defensor do mantra da criação artística genuína, sem se prender a expectativas alheias. “[Cazuza] não fazia para agradar, fazia para ele mesmo, e isso acaba agradando ainda mais ao público. Quando você não tenta ser o bonzinho, as pessoas se identificam”, concluiu.


Edição de colecionador da Rolling Stone Brasil: Cazuza – Memórias do Poeta

Este texto está presente na edição de colecionador da Rolling Stone Brasil em homenagem ao Cazuza. A revista, disponível na Loja da Editora Perfil, conta com depoimentos de amigos e pessoas próximas, um passeio pela Exposição Cazuza Exagerado, lista das 20 músicas mais regravadas, a discografia comentada e muito mais!

+++LEIA MAIS: Paulo Ricardo: ‘Cazuza era uma lâmpada, com várias mariposas em volta’

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