Música
Vidas pra Contar’ chega a São Paulo após grande sucesso no Rio

Após temporada de sucesso no Rio de Janeiro, Djavan – O Musical: Vidas pra Contar estreia em São Paulo no dia 9 de agosto, no Teatro Sérgio Cardoso, com direção de João Fonseca, roteiro de Patrícia Andrade e Rodrigo França, e produção de Gustavo Nunes. O espetáculo mergulha na trajetória artística e pessoal de um dos maiores nomes da música brasileira: Djavan.
Com 32 apresentações programadas até 28 de setembro, a temporada paulista não terá sessões extras. “Então quem quiser vir vai ser agora, nessa temporada“, reforçou Gustavo Nunes durante coletiva de imprensa que contou com a presença de Rolling Stone Brasil.
A montagem conta com o aval e a colaboração direta do próprio Djavan, que autorizou o uso de sua obra e compartilhou detalhes inéditos de sua vida em entrevistas com a equipe criativa. “O objetivo desse projeto é homenagear um artista desse tamanho ainda em vida, que é uma coisa que a gente tem que começar a fazer aqui no Brasil”, destacou o produtor.
Gustavo Nunes, produtor do espetáculo e fundador da Turbilhão de Ideias, também destacou o desafio de criar musicais originais no Brasil. “Produzir um musical do zero leva, em média, dois anos. É um processo de formiguinha, desde convencer o artista homenageado — que nem sempre acredita que o teatro musical é a linguagem ideal — até conseguir patrocínio, montar a equipe criativa e realizar audições abertas“, explicou. Segundo ele, todos no elenco passaram por processo seletivo e foram escolhidos “a dedo”, sem favorecimento de nomes famosos para atrair público. “É mais difícil, mas é como a gente acredita que deve ser feito.”
A escolha do protagonista
Interpretar Djavan exigiu muito do ator Raphael Elias, que inicialmente nem se inscreveu para o papel. “Perdi a data da inscrição. Por insegurança mesmo, achava que não iam escolher alguém que nunca fez teatro musical”, contou Raphael. Mesmo assim, foi descoberto mais adiante por vídeo e convidado a fazer o teste. “Sempre amei Djavan. No meu Spotify do ano passado, ele foi o artista mais ouvido. Talvez eu já estivesse me preparando sem saber.”
A busca por um ator que reunisse presença cênica, talento vocal e habilidades com o violão foi intensa. “Fazer o Djavan é muito difícil”, comentou João Fonseca. “Pela sofisticação da obra, pela exigência vocal, musical e interpretativa. O Raphael foi um achado.”
Mergulhando nos personagens
Os demais membros do elenco compartilharam detalhes sobre o processo de construção do espetáculo. Um dos aspectos mais ressaltados foi a natureza profundamente colaborativa do trabalho. “A construção dos personagens foi muito coletiva. Claro que cada ator chegou já com alguma pesquisa, algum entendimento do personagem, mas ao longo do processo fomos lapidando juntos“, destacou Aline Deluna, intérprete de Maria Bethânia.
O musical também enfrenta um desafio delicado: retratar Djavan além da figura pública. “Djavan é muito discreto, pouco se sabe da vida pessoal dele. A gente conhece muito da obra, mas não tanto da intimidade“, continuou Aline. Nesse sentido, o espetáculo tem o mérito de trazer à cena figuras importantes da vida do artista, como sua mãe Dona Virginia (Marcela Rodrigues) e Aparecida (Eline Porto), sua primeira esposa. “Aparecida, por exemplo, tem uma única foto na internet, e não é com o Djavan. Tive que investigar, ouvir relatos, especialmente com a ajuda do João [Viana, filho de Djavan], para entender quem ela foi na vida dele. E isso é bonito de mostrar no palco”, contou Eline.
A espiritualidade do artista também ganha espaço. Elegbara, entidade afro‑brasileira interpretada por Milton Filho, funciona como fio condutor da narrativa, e oferece ao público uma conexão sensível com o lado místico e religioso de Djavan. “Esse aspecto espiritual, que poucos conhecem, é algo muito bonito no espetáculo”, comentou Eline, que elogiou a atuação do colega de elenco.
Emoção na coletiva
A atriz Marcela Rodrigues, que interpreta Dona Virgínia, mãe de Djavan, compartilhou um dos momentos mais emocionantes da coletiva. Sem registros visuais ou referências públicas da personagem, Marcela enfrentou o desafio de construir essa figura apenas a partir dos relatos de quem conviveu com ela. “Eu sou a única do elenco que não tem referência do meu personagem. Não tem foto, vídeo, nada. Então perguntei para o João [Fonseca], como era a avó dele? Queria entender para tentar me aproximar de quem ela foi”, contou.
A resposta mais marcante veio do próprio Djavan, que assistiu a um dos ensaios. “Tomei coragem e perguntei a ele como era sua mãe. E ele disse: ‘Marcela, quando você entrou em cena, eu virei para o João e para o Max e falei: você quer saber quem é sua avó? Lá vem ela. Bença, mãe.’”
A atriz se emocionou ao relembrar o momento. “Chorava ele, chorava eu. Porque tudo que ele fala sobre Dona Virgínia é de um lugar sagrado. Ela foi tudo pra ele. Uma figura de imensa importância.”
Marcela define o papel como uma honra, mas também como uma responsabilidade imensa. “É muito forte representar essa mulher que empurrou o nosso poeta pra vida, que o inspirou, que o guiou, mesmo sem termos registros visuais de quem ela foi. É interpretar a força invisível por trás do artista.”
Outro momento emocionante da coletiva foi a fala de Walerie Gondim, que interpreta Gal Costa no espetáculo. A atriz refletiu sobre a responsabilidade de representar uma artista tão icônica, especialmente após sua morte. “Gal é uma referência para mim desde sempre. Me sinto honrada. E ver a repercussão, principalmente depois da apresentação no Altas Horas, foi muito forte. A internet leva o musical a lugares que as pessoas talvez não consigam assistir ao vivo. E é muito bonito ver que isso ajuda um pouco a matar a saudade da Gal.”
Uma seleção musical cuidadosa
O repertório do musical traz sucessos marcantes e também canções menos conhecidas do artista, todas costuradas por uma dramaturgia não linear. Segundo o diretor musical João Viana, filho de Djavan, a curadoria das músicas buscou equilibrar relevância histórica com o impacto na narrativa. “Tem músicas lado B que o público não conhece muito bem, mas que vestem a história perfeitamente“, afirmou.
João contou ainda que, em momentos de dúvida sobre a escolha de faixas, recorreu diretamente ao pai. “Talvez um ou dois momentos eu perguntava pra ele: ‘Você prefere essa ou essa?’ E ele ajudava. Foi muito participativo”, revelou.
Serviço – São Paulo
Local: Teatro Sabesp Frei Caneca, Consolação, São PauloEstreia: 9 de agosto de 2025
Temporada: 9 de agosto a 28 de setembro de 2025Duração: aproximadamente 2hClassificação indicativa: 12 anosHorários: sábado, às 16h e 20h; domingo, às 15h e 19h
LEIA TAMBÉM:Os 3 melhores álbuns de todos os tempos, segundo Paul McCartney
Qual foi o melhor filme de 2025 até agora? Vote no seu favorito!
- Anora
- Conclave
- Flow
- O Brutalista
- Mickey 17
- Vitória
- Pecadores
- Thunderbolts*
- Homem com H
- Karatê Kid: Lendas
- Premonição 6: Laços de Sangue
- Missão: Impossível – O Acerto Final
- Como Treinar o Seu Dragão
- F1: O Filme
- Superman
- Quarteto Fantástico: Primeiros Passos
- Amores Materialistas
- A Melhor Mãe do Mundo
- Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda
- A Hora do Mal