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Música

Por que o YouTube está matando o jornalismo musical, segundo Gastão Moreira

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Em um vídeo publicado em seu canal no YouTube, o jornalista musical Gastão Moreira falou de sua indignação por ter tido um vídeo sobre Ozzy Osbourne tirado do ar pela plataforma. Regras de direitos autorais motivaram a exclusão.

O material fazia parte do quadro especial Heavy Lero, que mantém no canal KazaGastão. O intuito era homenagear o vocalista do Black Sabbath, que morreu em 22 de julho, na Inglaterra.

Por mais de seis minutos, em um vídeo cujo título é “Querem acabar com canais de jornalismo musical”, Gastão explica como produziu a homenagem a Ozzy, em que disse ter utilizado menos de um minuto de imagens de um documentário em meio a uma produção de 47 minutos.

Gastão questiona o bloqueio, que diz ser arbitrário, injusto, “uma incoerência, uma afronta a quem pratica o jornalismo musical”. O jornalista também acredita que os produtores de conteúdo precisam rever a relação com gravadoras e editoras e convoca todos a discutirem o assunto.

Conforme transcrição da Rolling Stone Brasil, ele afirmou:

“Parece que estão querendo exterminar quem pratica o jornalismo musical sério ao invés de as gravadoras e editoras nos verem como aliados. A gente acaba divulgando as bandas, incentiva as pessoas a consumirem música, correrem atrás dos CDs, dos vídeos.”

E acrescentou:

“Esse vídeo foi tirado do ar de maneira absolutamente aleatória, sem critério, infundada, injustificada. Eu quis fazer uma homenagem ao Ozzy, que achei muito bem feita, as pessoas estavam consumindo e comentando sobre isso. Estávamos exaltando a memória do Ozzy e eu queria deixar um documento para o resto da vida falando de um dos meus grandes ídolos. E por causa de menos de um minuto de imagens separadas que eu usei, esse vídeo de 47 minutos foi tirado do ar.”

Mais de 50 vídeos bloqueados

O ex-VJ da MTV Brasil revelou ter mais de 50 vídeos bloqueados pelo YouTube. Segundo ele, no início inseria trechos de música em áudio. Diante do bloqueio, começou a incluir trechos de imagens, sem áudio, como fez no Heavy Lero sobre Ozzy.

“Antes, eram trechos de áudio. Parei de usar isso, passei a usar só imagens, sem áudio. Agora, as imagens também começaram a ser bloqueadas. Não é nem desmonetizar o vídeo, mas foi bloqueado, foi tirado do ar. Sinceramente, me senti agredido. A gente não está fazendo nada de errado, pelo contrário. Nosso trabalho gera muito esforço, muita pesquisa, muito amor para ser feito e desanima. É um desabafo, um protesto. As gravadoras e editoras têm que repensar a relação com os produtores de conteúdo de jornalismo musical. Nós realmente somos aliados.”

Gastão argumentou sobre como o trabalho de produtores de conteúdo de jornalismo musical beneficia a indústria da música:

“A gente produz para incentivar as pessoas a ouvir boa música, muitas vezes música esquecida, música do passado, bandas desconhecidas que a gente acaba despertando o interesse no público de correr atrás dessas bandas e desses artistas e acaba gerando lucro para essas gravadoras e editoras também.”

Gastão lamentou ainda a falta de diálogo e destacou que as visualizações dos vídeos rendem uma “merreca”. O jornalista disse que, se o vídeo de Ozzy fosse desmonetizado e não bloqueado, ele deixaria no ar mesmo assim pelo apreço ao conteúdo.

“Eu acho completamente injusta essa atitude (tirar do ar). A gente não tem como dialogar, conversar sobre isso, explicar nosso uso. Ninguém está ganhando dinheiro, a gente é um canal independente, ninguém vai ficar milionário com um vídeo desse. Tem os views e ganha uma merreca. Estou aqui indignado. Está cada vez mais difícil de fazer vídeos, principalmente sobre música.”

O que diz o YouTube sobre direitos autorais

O YouTube disponibiliza na plataforma uma explicação sobre os direitos autorais. No que chama de “primeira regra dos direitos autorais”, a plataforma é direta:

“Os criadores de conteúdo só devem enviar vídeos que eles tenham produzido ou para os quais tenham autorização de uso. Isso significa que não é permitido enviar vídeos que eles não tenham criado ou utilizar conteúdo nos vídeos que seja de propriedade de terceiros, como músicas, trechos de programas protegidos por direitos autorais ou vídeos feitos por outros usuários, sem as autorizações necessárias.”

No entanto, a plataforma explica o que são exceções de direitos autorais, “leis que permitem reutilizar o material protegido por direitos autorais de outra pessoa sem a permissão dela, mas somente em determinadas circunstâncias”.

O YouTube pondera como isso se dá em alguns países, mas acrescenta que “mesmo que existam algumas semelhanças em relação às exceções de direitos autorais pelo mundo, ainda há diferenças consideráveis entre as leis de cada país” e pede “aos detentores de direitos que considerem a validade das exceções antes de enviarem pedidos de remoção por direitos autorais”.

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